Era noite de uma quinta-feira chuvosa. A chuva não deu uma trégua desde manhã. Para as pessoas comuns, aquele tempo era um incômodo para as tarefas que precisavam cumprir e até mesmo para se locomoveram. Mas para alguém que não tinha obrigações ou família para se preocupar, aquela chuva não era nada.
Lucy estava sozinha, escondida em um parque. Estava sentada no chão, encostada no tronco de uma das árvores, abraçada as suas pernas. Seu olhar era frio, vago e indecifrável. Impossível saber o que se passava pela sua mente.
Rin caminhava tranquilamente com um guarda-chuva sobre a cabeça por um parque, apesar de estar com o guarda-chuva, ele estava um pouco molhado já que a chuva não batia apenas em sua cabeça. O garoto também não gostava muito de dias chuvosos já que o lembravam coisas um pouco tristes mas isso não atrapalhava nada quando ele tinha que aturar esses dias.
Ele continuava a andar pelo parque quando a chuva começou a aumentar um pouco, ele começou a correr e não teria voltado se não tivesse visto uma garota parada abaixo de uma arvore abraçando sua pernas. O garoto se aproximou de vagar dele - Olá… Acho melhor você sair da chuva… - falou baixo olhando para ela
A garota de cabelos róseos permaneceu calada. Por dentro, ficara irritada com a aproximação daquele rapaz. Não importa se estava chovendo ou não, Lucy não teria para onde ir e não ligava para o tempo. Queria apenas ficar sozinha, longe dos humanos. Longe de qualquer coisa que a tirasse do sério. Ela levantou um pouco a cabeça e olhou de lado para o rapaz, mas logo voltou a olhar para frente. Continuou quieta, com a mesma expressão séria e olhar enigmático, só se pronunciando depois de alguns minutos.
─”… vá embora.” ─ disse a jovem, friamente.
Ele ficou observando ela calado e mesmo depois dela manda-lo ir embora ele continuou da mesma forma, Izumo falava com ele da mesma forma então ele não se sentia ofendido nem nada assim quando alguém falava daquela forma com ele. Mesmo assim a primeira coisa que o garoto percebeu ao observar a garota foram seus chifres que ocupavam o topo da cabeça, ele ficou observando os mesmo sem falar nada, mesmo que ela tivesse aquilo ele não podia falar nada já que possuia uma cauda.
- Você… - ele começou a falar mas logo desistiu, não sabia se o que ele poderia falar afetaria ela de alguma forma
A persistência do rapaz em permanecer ao lado dela já estava irritando-a. Não sabia se ele estava apenas curioso com o fato dela ter chifres ou se era realmente um idiota para se importar tanto com ela. Se ele continuasse perto dela, o máximo que conseguiria seria se ferir. Por ela, ou pelos que a perseguiam. Quando o rapaz voltou a se pronunciar, a garota permaneceu imóvel e calada. Não estava a fim de conversa, só queria que ele fosse embora. Porém, ele interrompeu suas próprias palavras. Medo? Insegurança? Não sabia o porquê dele ter desistido de puxar assunto com ela, mas não se importava com o que ele quisesse lhe dizer.
─”Vá embora. Eu não tenho nada para falar com você.” ─ disse a diclonius, procurando convencê-lo a deixá-la sozinha. Acreditava que, caso continuasse sendo fria com ele, o rapaz se zangaria com ela e a deixaria em paz.
- Puf - ele falou ao ouvir o que ela havia dito, ele não iria embora tão facilmente, não quando havia achado alguém com chifres. Ele não ligava para o fato dela ter chifres, o que o intrigava era querer saber o que ela era. Um demônio igual ele talvez? Não tinha certeza, mas ele realmente queria saber aquilo, já que mesmo que o mundo estivesse cheio de demonio, não era tão facil achar um na praça sozinho debaixo de uma arvore.
O garoto olhou para ela novamente a encarando - O que você é…? - perguntou olhando fixamente para a garota
Aquela pergunta foi o suficiente para tirá-la do sério. ‘Então ele realmente reparou nos meus chifres’ - pensou a jovem de cabelos róseos, mantendo a sua cabeça abaixa. Ao levantá-la, voltou o seu olhar gélido para o rapaz, encarando-o por alguns minutos em silêncio. Em seguida, levantou-se do chão, lentamente, ficando de pé diante daquele quem considerava ser apenas mais um humano irritante. Seus vectors, braços invisíveis, começaram a sair de seu corpo e se espalharam ao redor do garoto. Dependendo da reação dele, Lucy iria matá-lo com havia feito com todos os outros que a incomodaram.

─ “Se eu lhe disser o que eu sou… sairá correndo como uma criatura sem esperanças…ou tentará me matar?” ─ perguntou a diclonius, encarando-o com seus olhos entre-abertos.







